A-cama-do Sol (Yuri Nunes)
Todos os dias, o sol se põe no horizonte como quem se deita numa cama macia de nuvens. O céu se tinge de laranja e rosa, e as aves fazem a última saudação antes do silêncio da noite. Há quem diga que a cama do sol é feita de sonhos, que ele descansa para renascer a cada amanhecer.
Eu gosto de pensar que o sol escolheu o mar como seu travesseiro. Quando ele toca as águas, um suspiro quente se espalha pelo mundo. As ondas se acalmam, o vento recolhe suas asas, e a terra se prepara para o repouso.
Há uma beleza melancólica nesse ritual. O sol, tão poderoso, precisa de descanso. Assim como nós, ele se entrega ao cansaço depois de um dia de luz intensa. E, ao se deitar, deixa um rastro de ouro no céu, como um bilhete de despedida.
Na cama do sol, o tempo parece parar. As estrelas começam a acender seus próprios sonhos, e a lua vem bordar com fios de prata o manto da noite. Tudo é silêncio e paz.
Mas o sol não dorme para sempre. Antes do amanhecer, ele se espreguiça devagar, envia os primeiros raios como beijos tímidos, e se levanta novamente, pronto para mais um ciclo de vida e calor.
A cama do sol é o nosso próprio coração: sempre se refaz, sempre recomeça. Talvez por isso, ao ver o pôr do sol, sintamos uma nostalgia tão profunda. É o sol nos ensinando a arte do descanso e da renovação.
E assim, todos os dias, o sol se deita em sua cama de nuvens e mar, e a humanidade inteira suspira junto com ele.