Há algo de profundamente irônico em defender os livros num tempo em que se lê cada vez menos. Talvez por isso mesmo esta apologia se faça necessária — não como um tratado, mas como um afago. Os livros são objetos estranhos: carregam mundos inteiros em páginas finas, e no entanto ocupam tão pouco espaço físico. São altares portáteis, templos de papel onde o silêncio ganha voz.
Defender os livros é defender a lentidão, o tempo de maturar uma ideia, o prazer de reler uma frase até que ela se instale na memória. É resistir à avalancha de informações que nos empurra para a superfície. Cada livro lido é uma trincheira contra o esquecimento. Cada biblioteca, uma catedral laica.
Que esta apologia não seja levada a sério demais, pois há nelas uma ironia — a de que, ao escrever sobre livros, já os estamos celebrando. E ao lê-los, já os defendemos.