A noite escura e fria. As ruas vazias e silenciosas. O som distante de uma televisão ligada. Uma casa simples, mas acolhedora.
Ele chegou em casa depois de mais um dia de trabalho. Cansado, como de costume. Ligou a televisão para ouvir algo enquanto preparava o jantar. A comida estava pronta. Ele comeu assistindo a um programa qualquer. Depois, foi para o quarto e deitou. Mas não conseguiu dormir. Algo o incomodava. Um sentimento estranho, uma inquietação.
Ele se levantou e foi até a janela. A rua estava deserta. O vento soprava forte, fazendo as árvores balançarem. Ele sentiu um calafrio. Algo não estava certo.
Ele decidiu dar uma volta. Colocou um casaco e saiu. Andou sem destino, perdido em pensamentos. As lembranças do passado vieram à tona. Momentos felizes, tristezas, arrependimentos.
De repente, ele ouviu um barulho. Algo como um grito abafado. Ele parou e prestou atenção. O som vinha de uma casa próxima. A porta estava entreaberta. Ele se aproximou cautelosamente.
O que viu o deixou paralisado. Uma cena de horror. Sangue por toda parte. Um corpo no chão. Ele reconheceu o rosto. Era seu vizinho, o senhor Carlos.
Ele quis gritar, mas a voz não saiu. As pernas tremiam. Ele correu para sua casa e trancou a porta. Sentou no chão, encostado na parede, tentando entender o que tinha visto. O assassinato do senhor Carlos. Quem poderia ter feito aquilo?
No dia seguinte, a polícia esteve em sua casa para interrogá-lo. Ele contou tudo o que viu. Mas não tinha provas. O assassino nunca foi encontrado. O mistério permaneceu.
Leonardo Melo, o protagonista dessa história, nunca mais foi o mesmo. A culpa por não ter feito algo, por não ter impedido, o consumia. A imagem do senhor Carlos caído no chão o assombrava todas as noites.
Anos se passaram. Leonardo mudou de cidade, tentou recomeçar. Mas o passado sempre o alcançava. O assassinato do senhor Carlos o marcou para sempre.
Fim.