Há chamas que nascem do fogo e morrem com ele. Mas há outras que transcendem a matéria — chamas que habitam o espírito, que se alimentam de memória e de afeto. A chama eternal não é aquela que nunca se apaga, mas aquela que, mesmo apagada, continua a queimar dentro de nós.
Talvez por isso os antigos acendessem velas nos túmulos: não para iluminar a escuridão, mas para lembrar que a luz persiste, invisível, no coração de quem ama. A chama eternal é uma promessa silenciosa de que o que foi vivido não se perde no tempo.
No café da manhã, quando a xícara esquenta as mãos, sinto essa chama. No vento que balança as folhas do ipê, no riso de uma criança, no abraço apertado de quem se despede. Ela está em tudo o que nos move, no que nos faz levantar todos os dias para recomeçar.
Escrevo estas palavras numa manhã de inverno, quando o sol teima em aparecer entre as nuvens. Lá fora, o mundo segue seu curso. As pessoas caminham apressadas, cada uma carregando sua própria chama. Umas mais altas, outras quase apagadas. Mas todas acesas.
E eu? Eu deixo a minha arder. Que seja pequena, que seja frágil. Ela é minha, e enquanto houver papel e tinta, enquanto houver alguém disposto a ler, ela não se extinguirá.
Chama eternal. Não é um destino. É um jeito de caminhar.