Com medo de te amar, te amei

Houve um instante em que o peito calou a voz.
Palavras ficaram presas na garganta
feito a névoa que insiste em não dissipar.

Com medo de te amar,
construí muros de versos incompletos,
escondi o afeto em dobras de papel amassado.

Mas o amor não pede licença
— chega como o café da manhã,
quente, inevitável, dono do seu tempo.

Te amei antes que o medo terminasse de falar.
Amei no silêncio entre um gole e outro,
na hesitação dos dedos sobre a mesa,
no olhar que desistiu de se desviar.