A lua se esconde atrás das nuvens, como quem foge de si mesma. No silêncio da noite, ouço o eco dos passos que não dei. O luar insiste em desenhar sombras na parede do quarto, e eu, refém da insônia, tento decifrar os enigmas que a claridade inventa.
Fuga lua, leva contigo o peso dos dias. Deixa apenas o rastro de prata no asfalto molhado. Que a cidade adormeça sob o teu manto de esquecimento.
Há quem diga que a lua é feita de queijo, mas eu sei que é feita de silêncio. Cada cratera, uma palavra não dita. Cada fase, um ciclo de ausências. Quando ela minguar, que seja para que eu possa recomeçar.
Nesta noite de lua nova, invento uma luz própria. Não preciso do luar para enxergar o que sinto.