O café esfria sobre a mesa. Fora, a chuva desenha riscos no vidro. Dentro, o silêncio é um eco.
Há dias em que a gente se pergunta: quem sou eu fora das palavras que escrevo? Quem sou eu além dos papéis que ocupo, dos títulos que carrego?
Existir é um ato de coragem. É levantar e encarar o espelho, mesmo quando a imagem reflete o cansaço de um mundo que não dorme.
Neste momento, sentada à mesa de madeira, com a caneta na mão, sinto o peso do tempo. Cada palavra que escrevo é um passo em direção ao desconhecido.
O vento balança as cortinas. O som da chuva acalma. E, por um instante, tudo faz sentido.
Este é o momento existencial: aquele em que a vida não precisa de explicações, apenas de testemunhas.
E eu, aqui, sou testemunha de mim mesma.
— Aline Bischoff