Ela me olha e diz:
— Você já morou aqui, nessa casa, antes de nascer?
Abaixo os meus olhos.
— Não lembro.
— Mas você se lembra dos sonhos? Como é que você sonhava?
Sinto o tempo me carregar e dessa casa eu já não faço mais parte. Lembro-me do gosto da maçã do quintal, lembro do vestido de chita, dos cachos de cabelo da menina que eu era.
Sinto que já estou bem longe.
— Morei, sim.
— Você ficou cansada? Quer descansar?
— Não. Quero é perder o rumo de casa.