Pedras

Há pedras que carregam o peso do silêncio. Outras, o calor do sol da tarde. Algumas são lisas de tanto serem tocadas pelas águas do tempo. Eu coleciono pedras não pelo que são, mas pelo que guardam: memórias de passos que já se foram, de olhares que se perderam no horizonte.

Cada pedra no caminho é uma história interrompida. Se pararmos para ouvi-las, talvez nos contem sobre os dias em que a terra tremeu, sobre as mãos que as lançaram ao mar, sobre o frio das manhãs de inverno.

Esta manhã, encontrei uma pedra no bolso do casaco. Não lembrava de tê-la colocado ali. Mas ela estava, firme e silenciosa, como um segredo que o corpo insiste em guardar. Aqueci-a entre os dedos e senti uma calma antiga, como se a pedra soubesse algo que eu ainda não aprendi.

Talvez seja isso: as pedras nos ensinam a permanecer. Enquanto tudo se move, corre, desaba, elas ficam. São testemunhas mudas do que já fomos e do que ainda podemos ser.

E assim, entre uma palavra e outra, vou deixando pedras pelo caminho. Não para marcar território, mas para que outros, ao encontrá-las, saibam que não estão sozinhos.