Há marcas que deixamos sem perceber. Pegadas na areia, palavras ao vento, sentimentos que insistem em ecoar. Rastros não são apenas vestígios do que passou; são pontes entre o que fomos e o que ainda podemos ser.
Cada escolha, cada desvio, cada encontro — tudo se inscreve em algum lugar. O corpo guarda as cicatrizes que a alma não mostra. E às vezes é preciso um olhar atento para ler esses sinais dispersos, como quem decifra uma escrita antiga.
“Os rastros que deixamos no mundo são feitos da mesma matéria dos sonhos: leves, imprecisos, mas capazes de transformar a paisagem.”
Talvez por isso a literatura exista: para fixar o que se move, para dar nome ao que se esvai. Cada poema, cada conto, é uma tentativa de capturar um rastro antes que o tempo o apague. Escrever é, no fundo, um ato de resistência contra o esquecimento.
Nesta edição do Cappuccino Grande, convidamos você a percorrer os rastros que outros deixaram — e a reconhecer nos próprios passos a beleza do que é efêmero. Afinal, viver é deixar marcas, mesmo que o vento um dia as cubra.