Não há replay na vida real,
mas o coração insiste em repetir
o mesmo erro, a mesma palavra,
o mesmo adeus.
No disco riscado da memória,
a agulha volta sempre ao mesmo sulco.
E eu danço, nessa música infinita,
como se o tempo fosse uma fita cassete
que a mão de Deus pudesse rebobinar.
Mas o ponteiro não volta.
O vinil não se refaz.
O que ficou para trás
é só um eco no escuro —
um replay que a alma inventa
para não esquecer a melodia.
Vandia Leal, do livro Replay e outros poemas.
Publicado originalmente no Expresso do Dia.