Havia dois irmãos. Ambos se odiavam. O ódio era tanto que, quando se encontravam, os olhos trocavam faíscas. A convivência era insuportável.
A vida havia separado os dois. O mais novo se casara e estabelecera morada em uma cidade grande. O mais velho ficara na fazenda da família, onde se dedicava ao ofício que herdara do pai.
A inimizade entre eles não era segredo para ninguém. Todos na pequena cidade sabiam. Muitos achavam que o ódio era tanto que, mesmo depois de velhos, ainda se odiavam.
O mais velho enviuvara. Vivia sozinho na imensidão da fazenda. Passava os dias a olhar para a plantação, ouvia o vento, e sentia uma solidão que doía nos ossos. À noite, sentava-se na varanda, tomava um café amargo e fitava o horizonte. A solidão era sua companheira fiel.
O mais novo, casado, com filhos, vivia cercado de pessoas, mas sentia um vazio imenso. Sentia falta do irmão. Lembrava-se dos tempos de infância, quando brincavam juntos, antes que a rivalidade os separasse. Queria pedir perdão, mas o orgulho não deixava.
Um dia, o mais velho adoeceu. Não havia ninguém para cuidar dele. Quando a notícia chegou ao irmão mais novo, ele não hesitou. Pegou o primeiro ônibus e foi para a fazenda.
Ao chegar, encontrou o irmão de cama, debilitado. O mais velho, ao vê-lo, sentiu uma alegria imensa, mas tentou disfarçar. O mais novo sentou-se ao lado da cama e segurou sua mão. Ficaram em silêncio, mas aquele silêncio dizia mais do que mil palavras.
Nos dias que se seguiram, o irmão mais novo cuidou do mais velho com dedicação. Preparava a comida, dava os remédios, fazia companhia. Aos poucos, as mágoas foram se dissipando. Começaram a conversar, a rir, a recordar os bons momentos.
O mais velho se recuperou. Mas, dessa vez, a solidão não era mais a mesma. Havia esperança. Haviam se reconciliado. O amor fraterno falou mais alto.
E, assim, os dois irmãos, que antes se odiavam, tornaram-se inseparáveis. A solidão deu lugar à companhia. E viveram felizes para sempre.