Teus olhos são frestas por onde a manhã se espia,
dois cálices de café onde o silêncio descansa.
Neles, o tempo se dobra em pregas de poesia,
e a noite se desfaz em gotas de lembrança.
Teus olhos são o mapa de um país que não conheço,
cada olhar um rio que corre para dentro de mim.
Nas margens dos teus cílios, eu adormeço
e acordo em cada verso que não teve fim.
Entre o verde e o castanho, o teu olhar é morada,
onde o vento se deita e o amor se faz arado.
Teus olhos são a escrita da manhã que não foi dada,
um poema que nasce em cada lado do teu rosto, calado.