Touro-mor (Leitor Bolado)

“E um dia, o leitor bolado se olhou no espelho e viu um touro.

A partir daí, não foi mais o mesmo. Cada livro que abria era uma arena. Cada página, uma investida.

Ele não lia mais para se informar ou para se distrair. Lia para enfrentar.

O texto era um inimigo a ser domado, ou um espelho a ser quebrado. Não havia meio-termo.

— Isso aqui é uma agressão! — dizia, fechando o livro com estrondo.

E, no entanto, voltava. Sempre voltava. Porque no fundo, sabia que a literatura não é um campo de flores. É um campo de batalha. E ele, o leitor bolado, era um guerreiro.

Talvez exagerado. Talvez cego. Mas nunca indiferente.

E isso, pensou, já era alguma coisa.”