Vagalume (Yuri Nunes)

Há poetas que escrevem com tinta, outros com luz. Yuri Nunes, em "Vagalume", parece pertencer à segunda categoria. O poema, publicado originalmente no Escrita Cafeína, é um exercício de delicadeza: em poucas linhas, o autor captura a essência do instante, a brevidade do brilho.

O vagalume, inseto que carrega sua própria lanterna, torna-se aqui metáfora para a palavra poética. Assim como o vagalume ilumina a noite sem alarde, o poema ilumina o cotidiano sem pretensão. A luz que pisca é a mesma que nos faz parar, por um segundo, e contemplar.

Yuri Nunes constrói imagens que dialogam com a natureza e com o tempo. O leitor é levado a sentir a noite, o silêncio, a espera. O poema não explica, apenas mostra. E nesse mostrar, revela camadas de significado que vão além do que os olhos veem.

Noite aberta,
o vagalume acende
seu pequeno instante.

Não pede licença,
não anuncia:
apenas brilha.

E na pressa do mundo,
quem para para ver
essa centelha?

"Vagalume" é um convite à lentidão, à atenção ao pequeno. Em um mundo que corre, o poema nos lembra que a poesia está nos detalhes — num ponto de luz na escuridão, numa palavra dita no momento certo.

Yuri Nunes é poeta e cronista, colaborador frequente do Escrita Cafeína. Seus textos transitam entre o lírico e o cotidiano, sempre com um olhar atento para as pequenas coisas. Este poema faz parte da série de poemas do Cappuccino Pequeno, onde a poesia ganha espaço e voz. Que venham mais vagalumes.