Um poema breve, resgatado dos arquivos do Escrita Cafeína, que celebra a delicadeza do instante.
Pouso um verso
na borda da xícara.
A espuma desenha
uma nuvem passageira.Palavra fina
que se dissolve
na língua
antes do gole.No fundo da caneca,
o poema inteiro
é só um grão
amargo e doce.
O texto acima, preservado como um fragmento, ecoa a atmosfera literária e acolhedora que define o espírito do Escrita Cafeína. Nestes versos, o café não é apenas cenário, mas substância da escrita. A xícara que recebe o verso, a espuma que se faz nuvem, o grão que concentra o sabor — tudo se transforma em matéria poética.
O "Versinho" é um convite à lentidão. Em um mundo que acelera cada gole, o poema nos força a parar. Acompanha o ritual do café desde o pouso do verso na borda, passando pela espuma que se desfaz em nuvem de letras, até o gole final onde o poema se revela em sua totalidade — um grão inteiro, amargo e doce. A métrica livre e a simplicidade das imagens constroem uma experiência sensorial que ressoa diretamente com o leitor.
A página, recuperada dos meandros do arquivo histórico, foi restaurada como parte do compromisso do Escrita Cafeína em preservar a memória da sua escrita. Que este pequeno poema encontre novamente seus leitores, e que a caneca jamais esfrie enquanto houver um verso a ser lido.